e.c.
domingo, 5 de agosto de 2007
A apreciação da crítica cntendida V
e.c.
A apreciação da crítica entendida IV
O prefácio é como um bom prefácio deve ser: generoso; exultante, anima de expectativa o leitor.
O livro: é pela atmosfera que nos enredamos sem grandes resistências e nos dispomos a estar presentes; se atentos, não nos escapará a interessante ligação temporal entre as diferentes partes da narrativa, que nos parece consonante apesar das inverosimilhanças no mesmo plano; a intemporalidade que não atrapalha o leitor; isso é muito bom. Perde-se, no entanto, alguma disponibilidade perante a mescla estrutural das personagens; o autor, nota-se, desistiu delas antes de nós.
Se a Bela fosse dado transmitir coisas de si ao autor, ter-lhe-ia feito chegar, em missiva dialéctica virginal, pudores inconfessos, ambiguidades, contradições humanas, insolvências, anseios e aderências às tramas do leitor; não se rebelaria Bela no leito a escalavrar a sua lisura cutânea por incompreensão ou desejo de aceitação da mundaneidade; aceitava-se de bom grado que Bela, em tal delírio, guiasse a mão do Senhor a um castigo sacro, ou que fosse o Espírito Santo, benigno, a ensinar-lhe o santo oficio.
É desamor do autor, entrar e sair de um claustro sem provocar um estrépito herético, avassalador e memorável personificado numa ou mais personagens. Entrar e sair desse espaço como um respeitoso católico que, durante o missal, se entreteve em divagações fantasiosas com a Virgem e Maria Madalena, para, depois, se confessar ao padre esperando a absolvição, é que não. Haja respeito pelo leitor!
Como exercício de estilo, parece-me necessário insistir na fluidez da narrativa e evitar algumas fórmulas buriladas que impedem uma progressão vivaz; não abandonar as personagens sem lhe dar densidade, compleição.
Escusado será dizer que não é pelo saber da escrita que redigi esta critica, mas pelo saber da leitura, e ainda que uma critica nunca é isenta nem tem que o ser.
n.
domingo, 15 de julho de 2007
A apreciação da crítica entendida III
«… Não são só as incoerências do texto, que parecem pretender vincar a autonomia entre os capítulos (quadros, segundo o autor), comprometendo a possibilidade de uma estrutura coerente, como também a desordem do enredo, que denega o sempre esperado “contar do Conto”. …»
«…O passado, apresentado nessa forma da narrações paradoxais que tentam estabelecer uma dialéctica com o presente no intuito de construir acontecimentos viáveis, levanta o véu que esconde uma intenção de construção de um texto de metaficção de cunho historiográfico. Mas por aí se fica, pois nem a extensão nem a estrutura da escrita permitem o desenvolvimento desse ensaio que se vislumbra…»
«A ficção contrafactual cria incongruências irónicas introduzindo figuras e eventos históricos em sequências ficcionais alternativas ou personagens de ficção em sequências históricas …»*
«…A classificação quanto ao género literário em que se insere, afigura-se difícil, senão impossível, pois a desconstrução genológica e temporal deste “texto híbrido” remete-o para uma terra de ninguém, nas longínquas margens do Conto….»
«Sobre as incongruências: Na Introdução, Leanor da Piedade é apresentada como uma das personagens principais do conto. No Cap. III, uma Isabel Violante é sugerida como personagem principal. No Cap. VI, aproxima-se um automóvel do Convento mas no Cap. X é uma carruagem que se afasta do Convento. Ainda no Cap. III, uma Leonor Violante da Anunciação, cozinheira e doceira, filha de um D. Rodrigo, é expulsa da ordem. Ora, no Cap. IX, surge uma outra Leonor (da Piedade), apresentada como filha de D. Rodrigo e sobrinha do alfaqueque, que parece assumir o papel que pertencia a Isabel Violante. Tais contradições suscitam várias perguntas, nomeadamente: 1 - O que aconteceu a Isabel Violante, que não mais é referida directamente? Será que tal como outras personagens serve apenas para suporte de mensagens enviesadas ao enredo central? 2- Se Leonor Violante da Anunciação é filha de D. Rodrigo, este D. Rodrigo é o irmão do alfaqueque e pai de Leonor da Piedade? Então as duas são irmãs ou são uma única pessoa com dois nomes diferentes? Mas uma foi expulsa e a outra continua no Convento?! Será ou não será, parece que tal coisa não importa ao autor. Não importa o nome de nenhuma das freiras, nem a identificação dos actos cometidos.»
«…O conto – quase anti-conto – imputa quaisquer dos actos a qualquer das freiras, não por pretender estabelecer um estereotipo da freira mas querendo, talvez, inferir que tais acções, sortes e infortúnios podiam acontecer a qualquer uma. (…) Entramos aqui no texto reflexivo, promotor de análise acerca da condição humana destas mulheres.»
«…O alvo primacial da ironia é a história religiosa mas também a memória cultural. Estas reescritas do futuro do passado a partir de uma possibilidade histórica não-realizada … apesar do seu discurso irónico, manifestam um projecto de emancipação.»*
Ualter Ego
* in http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/M/metaficcao_historiografica.htm
quinta-feira, 5 de julho de 2007
A apreciação da crítica entendida II
Aqui á dias amandaram-ne pela internete de uma editora Nabiça que queria uma crítica para um livro para eu dar openião derivado a eu gostar muito de ler e saber dar openiões sobre os que são bons livros e os que não são e também sobre outras artes. Este livro que me amandaram não é nada bom. O tema é sobre freiras mas o problema não é daí o que está mal é o autor não ter geito nenhum para descrever uma história com classe. Só consegui ler algumas folhas porque aquilo é mau muito mau e as moralidades que devia ter não tem pois até faz narrações de ações sexuais muito feias e vou buscar um exemplo da história para explicar as minhas razões. Disse o autor no livro que uma estava Extasiada pelo prazer e dominada pelo firme amplexo que a submete, sente o falo redentor introduzir-se entre as coxas procurando a sua fenda ardente e húmida. Vê-se logo aqui que o escritor não sabe falar de coisas importantes de maneiras educadas derivado a ter de certeza uma cabeça cheia de pecados e ações se calhar ainda com maiores pecados e vamos ver porque ele fala aqui em falo que é uma palavra e se calhar queria dizer pénis mas enganou-se na gramática pois falo é de falar e faz confusão ás pessoas até porque o órgão do homem não se mete nas coxas mas em sítios de decência. Também fala de fenda e todos sabemos que isso é uma coisa que existe nas paredes e o autor se calhar quis fazer estilismo de literatura mas ficou mal pois comparar paredes ao orgão da mulheres parece-me mal pois são coisas diferentes e as mulheres não devem ser comparadas com paredes pois podem ficar tristes derivado a merecerem mais respeitos e ainda por cima diz que está ardente e húmida o que é completamente impossível pois as humidades não deixam arder como sabem os bombeiros e por isso usam água e outras coisas húmidas para apagar os fogos. Não vou buscar mais exemplos porque este exemplo já chega para se ver que isto é uma coisa a falar de sexualidades e fobias que parecem doenças e para isso já chega o governo que não tem a tenção á saúde. Também acho mal estarem no livro fotografias pois ou o livro é com letras e é literatura ou é com fotografias e é de histórias como bandas desenhadas daí que esteja mal esta mistura e a fotografias também são más uma até amostra uma coisa tão mal tirada a parecer um sexo. Para essas coisas a internete é melhor mas não é para falar disto que me encomendaram este trabalho de analizar um livro e fico à espera do pagamento que exigi porque as minhas especialidades de análize tem de ser pagadas e bem pagadas pois dá muito trabalho saber dar openiões sobre livros e este deu muito trabalho e a minha openião é bem má pois o livro é mesmo mau mas eu quero o pagamento mesmo que a nabiça não goste de ouvir as verdades de análize. Vou acabar dizendo para não lerem o livro mas se não o pagarem podem ler as partes de sexo para verem como deviam ler melhor outras histórias como as das revistas da Maria e da Gina.
Armindo de Jesus, crítico de artes.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
A apreciação da crítica entendida I
Claustro Fobias - Ora bem, logo o título deste ignaro livreco, e assim o qualifico porque até possui uma capa agradável, endereça-nos para duvidosas e insólitas fobias experimentadas num claustro conventual, episódios vividos por freiras nesse espaço – percebe-se, depois, que noutros espaços do templo não são os medos que as trespassam.
No revoltear das palavras se espreitam outros cenários exteriores mas a trama encontra, lá, sempre, coisa que acaba por remeter para o cenóbio. Há um não sei quê de carrossel de feira, nesta dinâmica literária.
A trama aflora diversos aspectos da vida, antiga ou hodierna, e isso porque o autor esborrachou o devir histórico - as épocas, eras e períodos – certamente se devendo a reminiscências de anteriores actividades em que o martelo e a bigorna terão preenchido o quotidiano do inspirado criador.
Intenta a abordagem de relações entre pessoas, relações entre os dois sexos, relações que se estabelecem entre o sagrado e o profano, entre certezas e inseguranças, entre o real e o imaginário, mas tudo de modo muito superficial. Tão superficial que se diria tratar de um ensaio de flutuação em bóia de câmara de ar de pneu de tractor agrícola. Será por se tratar, somente, de um exercício de escrita, ou joga o autor com múltiplos significados? Várias passagens parecem ocultar outras intenções, permitindo vislumbrar a possibilidade de outras histórias eclodirem de dentro da história que é contada - e conta-se aqui alguma história? Já o prefácio termina alertando para essa pluralidade: “Seguem várias”.
Não há dúvida que as metáforas emprestam um certo travo poético, como convém a um conto desta natureza mas, nem mesmo esse espírito romântico aplaca a incomodidade das inúmeras dúvidas deixadas, tanta pergunta, meu Deus.
Quanto à ocorrência iconográfica, a que alude o autor – profissional da imagem –, no Desígnio, essa é constante e brutalmente submetida à palavra escrita. Veja-se como usa a imagem de forma diferenciada em cada capítulo, retirando-lhe uniformidade na aplicação, como a usa ora como elemento acessório ora como sofrível ilustração, como maltrata as fotografias, atenuando ou exagerando o contraste ou a luminosidade, ou comprometendo a escala de cinzas. Encerrarão algum aviso? Ou a afirmação de que não fazem ali coisa nenhuma e que as imagens da carga poética dos textos - sendo mais claras e eficazes – satisfariam plenamente?!
E os formatos e dimensões distintas das fotos indicarão que também os capítulos não têm qualquer conexão entre si, e que cada um deles poderá ser um quadro independente dos outros? Subordinados aos textos, os discretos ícones anunciam que sobre o exército das palavras reina a palavra. Mesmo que seja um pequeno exército. E mal amanhado.
Em síntese. Não comprem esta merda!
António Paulo de Montalvão Panacho de Marialva e Albuquerque da Gama

