quarta-feira, 4 de julho de 2007

A apreciação da crítica entendida I

Claustro Fobias - Ora bem, logo o título deste ignaro livreco, e assim o qualifico porque até possui uma capa agradável, endereça-nos para duvidosas e insólitas fobias experimentadas num claustro conventual, episódios vividos por freiras nesse espaço – percebe-se, depois, que noutros espaços do templo não são os medos que as trespassam.

No revoltear das palavras se espreitam outros cenários exteriores mas a trama encontra, lá, sempre, coisa que acaba por remeter para o cenóbio. Há um não sei quê de carrossel de feira, nesta dinâmica literária.

A trama aflora diversos aspectos da vida, antiga ou hodierna, e isso porque o autor esborrachou o devir histórico - as épocas, eras e períodos – certamente se devendo a reminiscências de anteriores actividades em que o martelo e a bigorna terão preenchido o quotidiano do inspirado criador.

Intenta a abordagem de relações entre pessoas, relações entre os dois sexos, relações que se estabelecem entre o sagrado e o profano, entre certezas e inseguranças, entre o real e o imaginário, mas tudo de modo muito superficial. Tão superficial que se diria tratar de um ensaio de flutuação em bóia de câmara de ar de pneu de tractor agrícola. Será por se tratar, somente, de um exercício de escrita, ou joga o autor com múltiplos significados? Várias passagens parecem ocultar outras intenções, permitindo vislumbrar a possibilidade de outras histórias eclodirem de dentro da história que é contada - e conta-se aqui alguma história? Já o prefácio termina alertando para essa pluralidade: “Seguem várias”.

Não há dúvida que as metáforas emprestam um certo travo poético, como convém a um conto desta natureza mas, nem mesmo esse espírito romântico aplaca a incomodidade das inúmeras dúvidas deixadas, tanta pergunta, meu Deus.


Quanto à ocorrência iconográfica, a que alude o autor – profissional da imagem –, no Desígnio, essa é constante e brutalmente submetida à palavra escrita. Veja-se como usa a imagem de forma diferenciada em cada capítulo, retirando-lhe uniformidade na aplicação, como a usa ora como elemento acessório ora como sofrível ilustração, como maltrata as fotografias, atenuando ou exagerando o contraste ou a luminosidade, ou comprometendo a escala de cinzas. Encerrarão algum aviso? Ou a afirmação de que não fazem ali coisa nenhuma e que as imagens da carga poética dos textos - sendo mais claras e eficazes – satisfariam plenamente?!

E os formatos e dimensões distintas das fotos indicarão que também os capítulos não têm qualquer conexão entre si, e que cada um deles poderá ser um quadro independente dos outros? Subordinados aos textos, os discretos ícones anunciam que sobre o exército das palavras reina a palavra. Mesmo que seja um pequeno exército. E mal amanhado.


Em síntese. Não comprem esta merda!

António Paulo de Montalvão Panacho de Marialva e Albuquerque da Gama

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